José Figueira

Os Meta Programas como meio caminho andado para a felicidade!

Num artigo anterior falei da enorme importância dos Valores na nossa vida.
Não são unicamente os valores e as convicções responsáveis pelo que fazemos e sentimos, mas também certas estruturas que formam os nossos perfis psicológicos, conhecidas em PNL como “Meta Programas”. Só nos sentimos felizes se o que fazemos se integra com o nosso perfil. O conhecimento das características psicológicas, e dos perfis neles baseados, permite-nos também prever comportamentos.

A origem dos Meta Programas

Os Meta Programas foram trazidos para a PNL e desenvolvidos por Leslie Cameron (1948-), ex-mulher de Bandler. Leslie Cameron jogou um papel importante no grupo inicial à volta de Bandler, Grinder e Pucelik, os criadores da PNL.

A origem deriva do psiquiatra suíço Carl Jung (1875-1961) que criou toda uma tipologia de características da personalidade com o intuito de prever o comportamento de alguém. Mais tarde, Myers-Briggs desenvolveu o MBTI (Myers-Briggs Type Indicator), com base no qual se podem classificar os diversos tipos de pessoas partindo de indicadores de comportamentos. Nos EUA é praticamente impensável dispensar estes perfis psicológicos na contratação e gestão de pessoal o que é absolutamente lógico: só tendo em conta os perfis psicológicos é que se podem aumentar as possibilidades de ter a pessoa exata no lugar exato.

 

A experiência subjetiva

Em PNL, para ilustrar a personalidade, parte-se do modelo de Jung e de Myers-Briggs. O modelo é baseado em determinados elementos que caracterizam a “estrutura da experiência subjetiva”, o objeto de estudo na Programação NeuroLinguística. Esta experiência subjetiva é essencialmente constituída, segundo Jung, por processos internos, estados internos, e comportamentos. Myers-Briggs juntou-lhe um novo processo, o fator de adaptação ao mundo.
Os processos internos têm a ver com o “como”: como fazemos o que fazemos, como processamos a informação – de forma generalista ou detalhada;
Os estados internos têm a ver com o “porquê” das coisas e as nossas tomadas de decisão – de forma racional, dissociada e analítica ou de forma associada com base em valores e preferências afetivas e pessoais;
O comportamento refere-se ao que se faz e como obtemos energia – sozinhos ou acompanhados;
O fator de adaptação refere-se ao que se faz… desde que se verifiquem determinadas circunstâncias – planear com um sentido crítico ou dar azo à espontaneidade.

 

A importância

Os Meta Programas são talvez a ferramenta mais importante para prever comportamentos. Isto porque nos mostram de forma muito simples, através de padrões de comportamento, como as pessoas pensam – não o que as pessoas pensam, mas os padrões de pensamento que usam. São também os Meta Programas que nos permitem criar perfis psicológicos de personalidade e a partir daí escolher, por exemplo, a devida pessoa para a respetiva função ou o respetivo companheiro para a devida companheira. Muitos dos problemas na comunicação em geral e na produção empresarial são o resultado de combinações indevidas de perfis em situações e momentos específicos. E esta inconsciência leva-nos diretamente à crítica do outro que não é como nós.
Não há perfis maus nem bons. Há perfis para contextos específicos no momento exato.

 

Os Meta Programas da PNL

O modelo específico da PNL trabalha com 15 ou 16 tipos psicológicos básicos que podem ser identificados a partir da observação do comportamento não-verbal e com a ajuda de algumas perguntas muito simples.

Os Meta Programas falam-nos, por exemplo, sobre como nos motivamos. Aproximamo-nos do prazer ou fugimos à dor? Compramos algo pelo prazer que dá ou para evitar problemas se não comprarmos?
Qual é a razão das escolhas que fazemos? São as possibilidades que oferecem ou porque tem de ser, porque não conhecemos outra alternativa?
Quem é o verdadeiro juiz dos critérios que utilizamos? Sou eu ou é o outro e em que medida?
Como fico convencido de qualquer coisa? Através de ver, ouvir, fazer, ler? E quantas vezes e quanto tempo preciso para ficar convencido?
Como trabalho melhor, como líder, independente, ou integrado numa equipa?
Passo imediatamente à ação ou preciso de pensar muito primeiro?
Em que espécie de ocupação me sinto realizado? Com pessoas, com coisas, com sistemas, com informação? E em que tipo de informação tenho mais interesse, geral ou detalhada?
Concentro-me mais em mim ou concentro-me, sobretudo, nos outros?
Prefiro regras ou abertura a alternativas?
Isto são apenas alguns exemplos.

 

Aplicações práticas

Para motivar alguém facilita se conhecermos o seu perfil de motivação.
Uma função que exija rotina exige outro tipo de pessoa que uma função concentrada na busca de novas possibilidades. Um vendedor que não conheça a forma como o cliente fica convencido, tem poucas possibilidades de sucesso.
Um líder para ser líder terá necessariamente de obedecer ao perfil de líder.
Num projeto é absolutamente necessário conhecer quem toma lugar em que momento do projeto, pois o início requer um perfil totalmente diferente da fase final e outro perfil para a realização prática. Cada profissão requer o tipo específico de pessoa com o interesse e caraterísticas necessárias ao seu desempenho.

 

Os Meta Programas e a felicidade

Em Meta Programas não se trata de julgamentos de valor.
O grau de felicidade, produtividade e qualidade de vida pode ser medido em função direta da realização prática da atividade, se esta se coaduna ou não com as nossas preferências naturais.

A sensação de realização pessoal depende em grande medida do tipo de atividades realizadas, as quais correspondem ou não à preferência psicológica natural e, que em linhas gerais, é formada logo nos primeiros anos de vida. Não ter isto em conta como pessoa ou organização é gostar de andar a bater com a cabeça contra a parede.
É a diferença entre irmos pela vida de forma fácil, agradável e harmoniosa, ou empregar força bruta para sobreviver lutando contra as nossas tendências naturais. A organização, a empresa, só pode funcionar harmoniosamente, sem grandes desperdícios de energia, se os colaboradores tiverem o perfil psicológico que corresponde à função. O colaborador só funcionará bem se sentir que o que está a fazer se enquadra nele, tanto no que diz respeito a valores como a características de personalidade. Se não houver ajustamento há sabotagem, na maioria das vezes inconsciente.

É muitas vezes uma questão de autoconhecimento e conhecimento das estruturas que nos movem a nós e aos outros. A grande disfuncionalidade dos encontros reside a maioria das vezes na ilusão de que os outros são como nós! Se estivermos conscientes das diferenças específicas, do perfil psicológico do outro, podemos aproveitar muito mais da funcionalidade da diferença, desde que esta diferença seja aplicada no devido momento e lugar.

José Figueira (junho 2013)

(Este artigo foi, entretanto, revisto e publicado no livro “Descobrir a PNL – um ensaio em redor dos temas da Programação NeuroLinguística e das suas aplicações”, de José Figueira, Edições Smartbook. Mais informação em:  http://pnl-portugal.com/os-meus-livros/.)

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