José Figueira

O “mapa” de nós e da realidade social que nós mesmos construímos no decorrer das nossas experiências de vida determina o nosso lugar no mundo, quer dizer, quem nós acreditamos que somos e o que são os outros.

Com a ajuda do modelo “Panorama Social” podemos analisar e diagnosticar o nosso próprio mapa e o mapa dos nossos clientes. A partir daí podemos torná-lo mais funcional adaptando-o (profissionalmente) de forma intencional e direcionada.

 

Eu entre os outros

Qual é o meu lugar? Quem sou eu? Quem são os outros? E quem é que você deseja ser entre todas as pessoas do mundo?

Se a Programação NeuroLinguística se tem afigurado ser uma epistemologia e metodologia com um arsenal imenso de técnicas que nos ajudam a descobrir quem somos e no que nos queremos transformar, O “Panorama Social” tem-se demarcado, pela sua profundeza e simplicidade, como uma das suas mais preciosas pérolas.

O Panorama Social, uma metodologia baseada em PNL, é talvez um dos instrumentos atuais mais poderosos no campo do coaching e da terapia para desenvolvimento pessoal e consciência do funcionamento dos processos mentais no que se refere ao conhecimento de nós e das nossas relações com os outros.

 

A quem se destina o Panorama Social?

Como praticamente todos os problemas humanos têm uma componente social, o Panorama Social, que estuda precisamente a forma como criamos as relações mentais na nossa mente é, por excelência, uma ferramenta de enorme importância para especialistas em coaching, terapeutas, professores, líderes, supervisores, políticos, negociadores…

Os nossos padrões do pensamento social, a cognição inconsciente social tal como foi desenvolvida no livro de Lucas Derks “Social Panoramas, Changing the unconscious landscape with NLP and psychotherapy”, tem vindo a ser empregue com enorme sucesso em todo o mundo por psicólogos sociais e clínicos, terapeutas, mediadores, psiquiatras, pedagogos e um largo público interessado tanto dentro da PNL como fora dela.

 

Do vago e complexo ao simples e concreto

A metodologia com todo o seu conjunto de cerca de 60 técnicas é conhecida pela forma sistemática como transforma temas relacionais geralmente complexos, em temas simples mais fáceis de lidar.

A realidade subjetiva das nossas vivências e relações, caracterizada por todo um complexo de emoções que fazem muitas vezes das relações um denso nevoeiro, tornam-se com a ajuda do Panorama Social, estruturas concretas exibindo padrões relacionais de forma clara e permitindo uma grande precisão nas intervenções.

É com todo o direito considerada uma das mais eficientes terapias dentro do quadro das chamadas terapias breves.

 

Espelhar, uma pequena metáfora 

Era uma vez uma sala cujas paredes estavam todas cobertas de espelhos.

Um dia, vá-se lá saber como, um cão entrou pela sala adentro e viu-se de repente rodeado de outros cães.

Rosnou, mas não ouviu que era o seu rosnar. Ladrou mas não ouviu que era o seu ladrar.
Mostrou os dentes e todos os outros cães mostraram os dentes.
Avançou e todos avançaram. Correu e todos os outros correram. E quanto mais investia todos os outros investiam. Até que exausto, tombou para o lado e morreu.

 

Como funciona o Panorama Social?

Como animais sociais que somos, a nossa vivência subjetiva é preenchida por pessoas.

Para nos podermos mover socialmente, precisamos de um mapa simplificado da realidade social. Esse mapa fala de nós e dos outros, diz-nos quem os outros são e quem nós somos em relação aos outros e é feito de imagens que organizamos num espaço mental em que cada pessoa relevante na nossa vida ocupa um lugar específico. Operamos nesse espaço mental criando hierarquias, fazendo deslocações, efetuando transformações nas representações mentais. Isso ocorre em geral de forma inconsciente mas determina as nossas relações sociais de forma automática. A essa paisagem imaginativa cheia de representações com características de pessoas e que determina as nossas relações sociais, por natureza feita de omissões, distorções e generalizações, chamamos o nosso Panorama Social.

 

A solução de problemas relacionais

Onde nos localizamos e localizamos mentalmente o outro vai determinar o significado emocional da nossa própria autoimagem e da relação com o outro. Aproximação, intimidade, confronto, estatuto, apoio, inimizade, amor, ódio, são codificados mentalmente a certa distância, numa determinada direção e focalização do olhar, num determinado espaço e com certo tamanho. O conceito “espaço mental a 3 dimensões” joga um papel central nas relações. Inconscientemente construímo-nos a nós e aos outros neste espaço mental.

A tomada de consciência e conhecimento das regras deste panorama mental abre-nos o caminho para relocalizações e a partir daí para possíveis modificações e enriquecimento da nossa autoimagem e das relações sociais. “O meu lugar no mundo” deixa de ser uma metáfora poética para se tornar algo com que se pode trabalhar de forma objetiva.

 

Intuição e cognição

Agimos pois intuitivamente e de forma automática ao mundo como resultado das construções que criámos do mundo sem ter consciência do lugar que criámos para nós e para os outros na nossa própria mente. Aos ficheiros de informação que criamos sobre nós e os outros e a todas as construções mentais a que atribuímos características humanas, chamamos “personificações”.

Com o Panorama Social paramos para observar personificações: a nossa autoimagem e a relação com os outros. É um novo mundo que se nos abre. Como diz Lucas Derks, o autor do Panorama Social, intuição torna-se cognição. A partir daí podemos objetivamente criar melhorias tanto na nossa autoimagem como nas nossas relações sociais.

 

Coaching e terapia

A maneira prática como essas transformações são feitas tem as mesmas características que as intervenções com PNL e torna-a até muitas vezes ainda mais simples, direta e eficiente: trabalha com a transformação de localizações mentais e a introdução de informação (recursos) que permite nova visão e maior flexibilidade de ação.

Desta maneira simples podem ser tratados problemas de autoimagem e autoconfiança, relações amorosas, relações com amigos ou colegas de trabalho, crianças, estrangeiros, grupos, partidos políticos, estratificações sociais, povos, teams, pessoas falecidas, espíritos, deuses…

Trata-se de Programação NeuroLinguística de alto nível enquadrada no desenvolvimento da PNL dos últimos anos: – como recriamos o nosso lugar no mundo é dos temas mais aliciantes que se processam ao nível da identidade e da missão.

 

Meu Lugar no Mundo, poema
por T. Campos

Sentada no moerão da cerca,
Sobre a panela furada,
Pensava na Vida.
Pobre criança,
Mal sabia:

“Seu Destino seria sofrer para achar uma Tampa.”

 

Este artigo foi, entretanto, revisto e publicado no livro “Descobrir a PNL – um ensaio em redor dos temas da Programação NeuroLinguística e das suas aplicações”, de José Figueira, Edições Smartbook.: http://pnl-portugal.com/os-meus-livros/

 

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