José Figueira

“Sucesso” é uma boa palavra para publicitar um artigo. Pertence a um tipo de palavras que praticamente toda a gente aceita sem se questionar. São palavras desprovidas de conteúdo. O seu grau de abstração permite que cada um lhes dê o significado que deseja. Fazem parte dos padrões linguísticos apelidados “nominalismos”. São palavras que se não podem transportar num carrinho de mão, como se diz em PNL.

 

À procura de uma definição

Em PNL estuda-se o funcionamento da mente e como o conhecimento desses processos nos pode facilitar a obtenção de resultados. Daí o serem investigados processos mentais e comportamentais de pessoas consideradas excelentes naquilo que fazem, tais como o foram Perls, Satir e Erickson, e se terem apurado, a partir desses estudos, ferramentas que aumentam a possibilidade de se alcançar o que se quer.

Talvez seja então uma boa definição de “sucesso”: alcançar o que se quer verdadeiramente.

 

Sucesso e ecologia

A PNL desenvolveu-se muito graças à criatividade de um grupo de pessoas que seguiu cada um o seu próprio caminho após as brigas jurídicas dos seus autores, Bandler e Grinder, nos anos 80. E como não é reconhecida nenhuma autoridade única no mundo da Programação NeuroLinguística, encontra-se de tudo: enormes diferenças de nível em conhecimento e experiência, cursos e atividades que vão do mais espiritual ao mais comercial, de definições de sucesso em que vale tudo, em que os fins justificam os meios, até ao exercício íntegro com alto respeito por normas ecológicas.

A ecologia implica olhar para um individuo, uma relação, uma família, empresa, país, mundo, como um sistema em que cada parte influencia o todo. Qualquer ato, objetivo, transformação exige uma análise das consequências para todo o sistema. Requer respeito e requer evitar consequências negativas para o sistema ou para uma parte do sistema.

 

Como obter “sucesso”

A PNL direciona-se essencialmente a soluções. Todas as ferramentas têm portanto como fim contribuir para a realização de objetivos. Desde que se saiba o que se quer, se defina especificamente o que se quer, se focalize no que se quer, o coloque dentro do seu controlo, não provoque mais perdas que ganhos tanto para si como para os outros, aumentou já as possibilidades de chegar lá. Para além disso tem todas as inúmeras ferramentas da PNL ao seu dispor para o ajudar. E não se ponha a inventar o que já foi inventado: aconselhe-se com quem já conseguiu o que você quer, adapte a si a forma como ele faz e aja.

Essencial: o que é que quer verdadeiramente?

 

O sucesso, bem-estar e felicidade

A maior parte das pessoas sobrevive. Nunca fez esta pergunta a si mesma: o que é que significa verdadeiramente sucesso para si? No entanto o motor que as move, sem que deem por isso, é a necessidade intrínseca de serem felizes e sentirem-se bem e evitar a infelicidade e o desconforto. O sistema capitalista que vivemos tem sido aperfeiçoado até às últimas consequências no que respeita o desenvolvimento de objetos de consumo que prometem a realização dessa sensação positiva. Uma grande parte desses produtos funciona como inebriante favorecedor de entorpecimento para que possamos ignorar a dor.

A publicidade à volta da obtenção do sucesso e da felicidade é talvez uma das principais atividades na sociedade capitalista. Até no mercado do desenvolvimento pessoal, geralmente ligada ao aspeto motivacional, faz as pessoas saltitarem de uma para outra promessa de sucesso e felicidade, ligarem-se e tornarem-se dependentes de gurus. Muitas pessoas, talvez para vivenciarem sensações de sucesso emprestadas, ligam-se facilmente a gurus, sejam eles mestres espirituais, políticos, escritores, jogadores de futebol ou artistas de pop.

 

Metáfora das crianças

É uma história que li em tempos, parece-me que de Jorge Bucay. Um senhor passa por uma terra e passeia-se num campo verde e há lápides e ele espanta-se em cada lápide pela qual passa. Por baixo do nome vai lendo: um mês, 5 dias, 2 horas…
Intrigado pergunta se houve alguma epidemia nesta terra que tivesse tirado a vida a estas crianças. Reponderam-lhe que não, que nesta terra as lápides indicavam apenas o tempo que a pessoa teve de felicidade na sua vida.

 

As ciladas do bem-estar e da felicidade

A fuga à dor e a procura do bem-estar e da felicidade move as pessoas. O problemático nessa busca é que no momento em que um objetivo é realizado, seja a compra de uma lente de contacto, um novo televisor, um Ferrari, um casamento, uma casa, uma viagem à Tailândia, grande parte do preenchimento psíquico esperado perde o significado. E para preencher o vazio nasce a necessidade de um novo brinquedo.
A questão agrava-se no momento em que a pessoa se empenha para poder comprar aquilo que julga que a faz feliz e acaba por necessariamente se encarcerar numa crescente teia de obrigações que não a conduzem à felicidade mas que a obrigam a continuar automaticamente num processo de cumprimentos de deveres para evitar uma dor ainda maior.

É o trágico da busca de sucesso, bem-estar e da felicidade.

 

O propósito de vida

Bem-estar e felicidade não são os objetivos inspiradores motores últimos das nossas ações. Connirae Andreas introduziu em PNL o conceito “estados essenciais” como sendo os mais significativos estados pelos quais todos nós, consciente ou inconscientemente almejamos. Trata-se de estados de Ser que muitas pessoas definem como sensação de Plenitude ou Totalidade. Uma vez atingidos, nem que seja por escassos momentos, provocam Paz e uma sensação de auto realização de caráter absoluto. Possivelmente que a sensação de uma vida preenchida é o resultado da realização de objetivos que se enquadram no que cada um considera para si como o propósito da sua vida.

 

Descobrindo significados

Podemos tomar consciência dos significados superiores que nos regem inconscientemente, tal como se faz em PNL na análise de significados e objetivos positivos, investigando as intenções por detrás das intenções de cada ato nosso, de cada traço de caráter, de cada crença, de cada situação confortável ou desconfortável. Tad James, por seu lado, leva-nos a viajar no tempo, para além do futuro, ao encontro de uma luz branca simbólica que num determinado momento nos revela o nosso propósito, propósito esse criado por nós e presente nas profundezas do nosso inconsciente.

 

O museu

Há diversas metáforas que nos ajudam a considerar o que é verdadeiramente importante para nós, o que é, para cada um de nós, o verdadeiro sucesso na vida. Fazem uso da possibilidade mental que temos de viajarmos na “linha do tempo” e nos colocarmos na perspetiva do futuro. Uma delas é um pouco sinistra: – considere o texto da lápide que quer ver na sua sepultura. Uma outra maneira que acho mais simpática: – supondo que todas as suas vivências ficarão expostas num museu com diversas salas onde, de forma detalhada, tudo o que fez na sua vida está representado, como olharia no fim dos seus dias para estas salas? Com orgulho? Ou constrangido e apavorado com a morte por causa das coisas que não fez?

E tudo aquilo que não fez de significativo são coisas de que os seus filhos e os seus netos e o mundo também não usufruirão.

 

O alinhamento pleno

É corrente olhar para a congruência ou alinhamento de uma pessoa utilizando o modelo dos níveis (neuro)lógicos introduzido na PNL por Robert Dilts a partir dos trabalhos de Gregory Bateson. O visível do comportamento humano é determinado pelo invisível; este invisível são os valores e as convicções, o perfil psicológico, toda a gama de emoções ligadas à nossa história e finalmente, a missão, ou espiritualidade. Este nível corresponde à nossa ligação a um sistema maior e organiza e dá significado aos níveis inferiores.

 

Poderíamos falar então de pleno sucesso na vida quando a pessoa age e se sente diretamente em harmonia com os níveis hierárquicos (neuro)lógicos superiores, em última instância, aquilo que sente como sendo a sua missão.
Para além disso, uma sensação de congruência total e paz só poderão ser conseguidos quando esse alinhamento se fizer com todas as sub personalidades e todos os nossos papéis, (“partes”, como se chama em PNL).

 

O sucesso das empresas

O verdadeiro sucesso de uma empresa ou organização também só será conseguido a partir da congruência entre todos os seus “níveis de comunicação”: na relação do mundo com o produto, nas competências necessárias para a sua efetivação, nas convicções e valores que apoiam a produção, no ambiente emocional que se vive dentro da empresa e no que essencialmente a diferencia, e na relação de serviço à humanidade. Para além disso é necessário que cada colaborador tenha o perfil certo para a função e, sobretudo, realize também o seu propósito de vida dentro da empresa, uma ideia a que qualquer líder acabará por ter de se habituar. É que se não for assim, as pessoas que nela trabalham, consciente ou inconscientemente, sabotarão e não produzirão aquilo que potencialmente está dentro das suas capacidades.

 

Sucesso e liberdade

Só quando cada um é líder auto responsável dentro do seu domínio, absolutamente empenhado na realização dos seus mais altos propósitos, seja numa empresa ou em qualquer outro contexto, só então está em estado de manifestar de forma crescente toda a potencialidade de que é dotado e realizar aquilo que, no mais fundo de si, sente como o seu propósito.

Este conceito de sucesso está ligado ao conceito de liberdade. A pessoa que realiza o seu propósito, aquilo que é verdadeiramente importante para ela, essa pessoa está a fazer o que quer verdadeiramente, quando quer. É livre.

A Programação NeuroLinguística é um dos meios ao nosso serviço para nos ajudar a realizar os objetivos práticos de que precisamos para uma maior eficiência no dia-a-dia. Oferecemos nos nossos cursos um fundamento que pode ser uma contribuição inestimável para a realização do que cada um sente como sendo o significado da sua vida.

José Figueira

(Este artigo foi, entretanto, revisto e publicado no livro “Descobrir a PNL – um ensaio em redor dos temas da Programação NeuroLinguística e das suas aplicações”, de José Figueira, Edições Smartbook. Mais informação em:  http://pnl-portugal.com/os-meus-livros/.)

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