José Figueira

O que é delegar?

Delegar não é, nem controlar, nem deixar as coisas ao sabor do acaso. Delegar é um ato pró-activo de alta responsabilidade, um ato de quem conhece uma direcção e confia e respeita a “peça” do sistema mais apropriada que contribui para chegar ao destino e para o bem comum.

 

AUTO-DELEGAR

Uma das maiores dificuldades na solução de problemas respeitantes a insatisfações de carácter interno e toda a gama de descontentamento de ordem pessoal relativos à realização de objectivos, talvez tenham a ver com a dificuldade que temos em auto-delegar.
Explico: identificámo-nos tanto (empregando terminologia de PNL:” associámo-nos” tanto) com uma pequena parte de nós, que com essa pequena parte, queremos controlar as emoções e realizar toda a enorme gama de tarefas que caracterizam um ser humano. O “corpo” está sequioso de afeição ou, internamente, podemos sentir vazio, ou queremos resolver um sentimento de culpa, andamos às voltas, mentalmente, dias, meses, às vezes anos, com a mesma preocupação, e o que fazemos geralmente? Vagueamos pelo mundo fazendo as coisas da mesma maneira e obtendo assim os mesmos resultados. E fazemo-lo, geralmente, apelando à racionalidade ou usando automaticamente o pensamento circular feito de repetição dos mesmos pensamentos. A mente (mais ou menos) consciente quer perceber a situação, conhecer o primeiro acontecimento, analisar e encontrar as variáveis e controlar o processo para encontrar a “solução”. E enquanto faz isso, na maioria das vezes, o problema agrava-se…

Para ler o artigo completo, clique: “auto-delegar”

 

O CAVALO PERDIDO
Uma história de Milton Erickson sobre a relação consciente-inconsciente

Um dia, depois de Milton ter regressado da escola, um cavalo perdido, com rédeas e tudo, entrou pelo terreno. Suado, à procura de água. Ninguém conhecia aquele cavalo e os camponeses conheciam muito bem as redondezas.
Milton dominou-o, saltou para cima do cavalo e, desde logo, tinha uma certeza absoluta…
Levou-o para a estrada. E o cavalo começou a galopar numa certa direcção. Milton Erickson, estava absolutamente seguro de si. De vez em quando, o cavalo desviava a atenção do caminho e começava a divagar lentamente por uma ou outra propriedade. Milton Erickson fazia-o voltar ao caminho. Uns seis quilómetros mais longe o cavalo entrou decidido numa propriedade. O camponês correu para o cavalo, e entusiasmado disse: – Ah, estás de volta!
E perguntou a Milton onde tinha encontrado o cavalo e como é que soube o caminho. Milton respondeu que o cavalo é que sabia o caminho, a única coisa que fez foi manter a atenção do cavalo no caminho.

 

Técnicas de PNL e o tema AUTO-DELEGAR

Este é um dos princípios básico em PNL:
– toda a aprendizagem e transformação ocorrem a nível inconsciente.

Qualquer técnica é executada com o cliente num transe leve, o que tem precisamente como fim, evitar o mais possível que a mente consciente se intrometa. Isto é sobretudo notório sempre que se faça um trabalho de “partes”, um modelo em PNL que se refere a aspectos do inconsciente que se manifestam fora do nosso controlo, como o irritado, o perfeccionista, o culpado, o deprimido… etc. O termo “partes” também é usado para definir o pai, o especialista, a criança interior, o severo, o professor em nós, o anjo da guarda, etc.

Podem procurar-se então outras “partes”, plenas de recursos mais positivos, que aconselhem e ofereçam recursos às partes mais necessitadas. A transformação só terá lugar se oferecer maiores perspectivas que o comportamento ou as emoções antigas, e se se integrar de forma harmoniosa com todo o sistema do indivíduo. Ora este sistema é demasiado complicado para ser abarcado pela mente consciente. Há que criar espaço interior para a resolução de problemas. A mente racional consciente aponta uma direcção, faz uma pergunta, pede uma solução. A partir desse momento toda a sabedoria do inconsciente entra em acção e pode oferecer à mente consciente a surpresa de um desenredo, tal como quando tomamos consciência da solução de um problema intrincado resolvido durante o sono.

Este processo na dinâmica da relação consciente e inconsciente é, talvez, o aspecto mais interessante nesta metodologia. Leva-nos a uma tomada de consciência cada vez mais profunda do nosso funcionamento, tira-nos da “cabeça” ao encontro de uma vivência cada vez maior da nossa plenitude. Empregando linguagem metafórica: “corpo” e “alma”, de mãos dadas, passeiam pelo mundo maravilhando-se com o mistério da vida.

 

Mais uma técnica: EMPREGANDO PARTES DE NÓS
uma ferramenta para os mais corajosos

  1. Pense em um problema que tem ou num objectivo que quer atingir. Concentre-se totalmente nele. Sinta e investigue os resultados prós e os resultados contra, se o objectivo se realizar. Com base nesta análise, vá para a frente, desista do objectivo ou, reformule-o. Depois, pergunte: e agora?
    2. Volte-se ainda mais para dentro de si, alerta a qualquer voz ou palavra, imagem, sensação. Que voz interior é essa? Que sensação é essa? Que imagem é essa? De onde vem? Que imagina? Quem lhe faz lembrar? É um antepassado? Um anjo? Um espírito? Um bruxo? Uma fada? Ouve mais vozes, mais entes? Escolha uma com quem simpatiza mais.
    3. Entre em contacto com essa entidade. Entabule uma conversa sobre o problema ou objectivo e peça-lhe ajuda na sua resolução. Se a entidade se recusar, peça-lhe para lhe revelar as razões ou pergunte-lhe a que condição você deve obedecer para merecer a ajuda. Se houver recusa ou você não puder satisfazer as condições exigidas, então só tem uma alternativa: pedir amigavelmente um novo encontro com a entidade para umas semanas mais tarde.
    4. Se a entidade se meter ao trabalho, prometa-lhe sinceramente que confia plenamente nela e que fará todos os possíveis para não se preocupar com o assunto. Diga-lhe também que ficará alerta, nos próximos tempos, à voz ou outros sinais da entidade, no caso da entidade querer comunicar. Agradeça-lhe sinceramente e despeçam-se.
    5. Considere a influência que esta conversa vai ter no seu futuro. Experimente ver-se num filme no futuro com os seus novos comportamentos e as suas novas vivências de si e do mundo.

(As entidades em questão são metáforas para recursos internos. Qualquer representação, em termos de PNL, é fruto da imaginação. É a imaginação que produz resultados. Parece haver já indícios, em algumas investigações médicas, que o placebo funciona, mesmo que a pessoa saiba que está a tomar um placebo!)

 

Nas organizações: DELEGAR TAREFAS
uma lista com algumas regras clássicas:

  1. Determine a tarefa a delegar
    2. Esclareça porque escolheu aquela pessoa a quem está a delegar e motive
    3. Torne bem claro que está a delegar uma tarefa
    4. Explique a tarefa, os resultados esperados, os limites, as expectativas
    5. Mencione os meios para a sua realização e disponibilize-os
    6. Determine os limites de tempo
    7. Fale sobre o grau de responsabilidade do executor da tarefa e do seu papel
    8. Marque os momentos de avaliação
    9. Mostre a sua confiança, e especifique o seu apoio

A incapacidade dos gestores em delegar, justificada seja com que racionalizações forem, pode ser “desafiada” em PNL, por exemplo, com uma pergunta, tal como:
– O que há em ti que faz com que não consigas delegar?
Em geral, tem a ver com problemas pessoais de insegurança e medo resultantes do carregamento de mochilas pessoais, plenas de emoções negativas passadas, mochilas essas que podem estar a determinar, nos gestores, comportamentos automáticos de auto-defesa e a necessidade do adolescente em auto-afirmar-se.

 

Videos: DELEGAR DE VERDADE
Pode encontrar no You Tube alguns vídeos brilhantes sobre “delegar” que partem dos pressupostos e são inspirados pela PNL:
http://www.youtube.com/watch?v=Pf4b868gcUQ
http://www.youtube.com/watch?v=G8PcUP7HTS8 (1ª parte)
http://www.youtube.com/watch?v=j1SmM2-CJU8&feature=related (2ª parte)
http://www.youtube.com/watch?v=sp01n0B2X7M&feature=related (3ª parte)
http://www.youtube.com/watch?v=PpYOoAucVJI&feature=related (4ª parte)
http://www.youtube.com/watch?v=T_NTrOs8uls&feature=related (5ª parte)

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