José Figueira

Confesso que para fugir aos populismos característicos de alguma Programação NeuroLinguística de teor americano, tenho muitas vezes a tendência para introduzir demasiadas variáveis com as condições para assegurar o sucesso da aplicação das técnicas, o que pode complicar as coisas.
As pessoas querem sentir-se bem, não é verdade? O que é que a PNL tem de muito simples que ajude as pessoas, de uma forma rápida, a mudarem de estado quando se encontram em situações desconfortáveis?

Níveis de intervenção
Dependendo da profundidade do problema, do objetivo pretendido, do contexto e tempo disponível, podemos escolher por uma intervenção mais complexa ou pela aplicação de uma técnica muito simples que surte um efeito imediato.
A PNL tem ferramentas para intervenções ao nível da identidade, como é o caso das linhas do tempo em que são reenquadradas memórias do passado com adição de recursos. Possui também um modelo em que são trabalhadas sub personalidades (partes) em que se investigam as intenções positivas e se procuram alternativas para realizar a intenção positiva.
Mas também possui ferramentas muito simples em que se trabalha diretamente o corpo ou se atua diretamente nas representações mentais.

Fisiologia
A maneira mais rápida para proceder a uma transformação é modificando qualquer coisa no corpo. Qualquer modificação na fisiologia tem um efeito imediato no estado de espírito da pessoa.
A modificação mais fácil é a forma como direciona os olhos. Levantar os olhos ao alto faz sair a pessoa de uma sensação negativa. É muito simples.
Toda a gente tem experiência disto: como se sente com uma postura encolhida e olhar cabisbaixo? Levante a cabeça, deite o peito para fora e assente bem os pés na terra. Faz uma grande diferença.
Tem uma reunião menos fácil, uma apresentação que o apoquenta, uma conversa difícil, então estique os braços e mantenha-os bem levantados durante dois minutos. Não há depressão nem ansiedade que resista.

Aqui e agora
Tem-se falado muito ultimamente no poder do aqui e agora. Na verdade, um problema só existe no passado ou no futuro. Na vivência plena do aqui e agora, não existem problemas. A questão é: como regressar ao aqui e agora?
Há, entre outras, duas formas que se têm afigurado através dos tempos altamente eficientes.
Uma é a respiração. Enquanto dá atenção à respiração vive o momento presente. Costuma dizer-se que é a respiração que nos liga, como uma âncora, ao aqui e agora.
A outra forma é, para além da visão periférica (uma visão em que não nos focalizamos em nada em particular), a audição periférica. Procure escutar todos os sons que lhe chegam no momento sem dar especial atenção a nenhum em particular, sem interpretações, nem julgamentos.
Qualquer estado negativo tem uma característica. Empregando aqui uma expressão metafórica: a pessoa saiu do corpo e alojou-se na cabeça. Só existe um problema quando se perde o contacto com o corpo.
Este exercício exige que a pessoa procure no seu corpo um ponto que poderíamos chamar-lhe o seu “centro”, o ponto mais sensível, verdadeiro, o ponto em que temos a sensação que somos absolutamente nós.
Pessoas com problemas e em estados negativos sentem esse ponto muito alto no peito, na garganta, nas costas, nos ombros, etc.
A focalização da atenção neste ponto é também uma forma de voltar ao aqui e agora. Aliás, a vivência no aqui e agora exige a ligação da pessoa ao seu verdadeiro centro.

Submodalidades
A forma clássica para transformação de estados sensoriais negativos é feita em PNL pela transformação direta das submodalidades das representações internas.
As representações internas são as imagens mentais, os sons, as palavras do nosso diálogo interno e as sensações primárias que sentimos no corpo.
Qualquer estado sensorial (insegurança, irritação, ansiedade) é o resultado de uma representação mental. Se modificarmos a representação mental, modificamos o estado.
As submodalidades são as características das imagens (cor, brilho, tamanho, distância mental…), dos sons (volume, timbre, tempo, localização mental…) das sensações primárias (peso, temperatura, local no corpo, movimento…)
Após ter identificado a representação mental do estado negativo em que se encontra, experimente olhar diretamente a situação ou olhar para a situação vendo-se a si no filme; ou agarre num spray e pinte a representação de outra cor; aproxime e afaste a representação; modifique-lhe as características do som; desloque a sensação no corpo…
Experimente e vá dando atenção às modificações operadas no seu estado sensorial.

Panorama Social
O Panorama Social parte do princípio que a qualidade das nossas relações sociais são diretamente o resultado de como as representamos no nosso espaço mental. Tem um problema com alguém? Localize a representação da pessoa na sua mente e afaste-a de si para muito longe. Isso vai imediatamente refletir-se quando encontrar o outro na vida real.
Elementos determinantes na sensação que temos acerca do outro dependem das características de como o representamos na mente: localização, distância em relação a nós, tamanho, altura dos olhos e direção do olhar.
Ao modificar um destes elementos na nossa mente, modifica-se a relação.
Pessoas que nos intimidam estão mentalmente, em geral, na nossa frente e têm os olhos acima dos nossos.
A pessoa por quem temos uma paixão está muito chegadinha a nós na nossa frente no nosso espaço mental.
Se um ou uma ex está ainda muito perto de nós, pode muito bem ser que ainda haja uma ligação emocional que não dá espaço a novas relações.
Isto são só alguns pequenos exemplos.

Âncoras
Uma forma muito fácil de termos estados emocionais positivos à nossa disposição para quando precisarmos é usarmos “âncoras”.
Um toque no corpo, um gesto, um objeto, uma imagem, qualquer coisa serve desde que seja acessível e tenha um caráter único, quer dizer, que possa ser utilizada sempre da mesma maneira.
Quando se sentir totalmente pleno da sensação que deseja carregue a âncora. Toque-a, pense nela, faça o gesto que escolheu. Instale, energize, repita o processo. Está então a fazer uma ligação neurológica entre o gesto, o objeto, a imagem, com o estado sensorial positivo desejado.
Mais tarde quando repetir o mesmo ato ou se lembrar da imagem ou tocar o objeto vai poder usufruir das mesmas sensações.

Sucesso!

(Este artigo foi, entretanto, revisto e publicado no livro “Descobrir a PNL – um ensaio em redor dos temas da Programação NeuroLinguística e das suas aplicações”, de José Figueira, Edições Smartbook. Mais informação em:  http://pnl-portugal.com/os-meus-livros/).

 

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