José Figueira

I

Apresentamos desta vez um instrumento, o Panorama Social, que nos permite diretamente ajudar a transformar o mapa inconsciente das pessoas sobre os seus aspetos relacionais (consigo e com o mundo), através de “deslocações” dos ficheiros de informação sobre si e sobre os outros. Qualquer deslocação influencia inevitavelmente o significado do conteúdo do ficheiro.

Central está a ideia de que construímos o nosso lugar no mundo de forma inconsciente e daí continuarmos a ser quem nós somos, mesmo que queiramos ser diferentes e fazer diferente. No Panorama Social tomamos, em primeiro lugar, consciência dessas localizações mentais para, a partir daí, encontrarmos localizações mais adequadas.
Isso é possível porque concebemos as nossas relações sociais como construções cognitivas num espaço mental onde colocamos os outros numa determinada localização. Este posicionamento é determinante para a qualidade das nossas relações. Enquanto não modificarmos o nosso “lugar” e o “lugar” dos outros no nosso panorama mental, continuaremos a sentir e agir da mesma maneira, de forma automática.

 

O que é o Panorama Social?

É uma espécie de geografia da mente povoada de construções mentais que formam a maneira como filtramos a realidade social. O “Eu” ocupa o centro e todas as nossas relações com o mundo estão diretamente dependentes da nossa localização (mental) em relação aos outros. Estes “Outros” podem ser indivíduos, grupos, animais, espíritos, organizações, países, metáforas…
Ao espaço mental onde representamos o mundo, chamamos o “panorama social”. Aos diversos ficheiros de informação sobre nós e os outros, damos o nome de “personificações”.
A nossa compreensão do mundo, o nosso estado emocional e os nossos produtos mentais e físicos, são o resultado direto das perspetivas mentais definidas essencialmente em termos de localizações, distâncias, tamanhos e direção do olhar.

Relação Panorama Social e PNL

Trata-se de moderna PNL, ao mais alto nível, em pleno crescimento teórico e prático. O modelo baseia-se nos mesmos princípios em que todo o edifício da Programação NeuroLinguística assenta: – criamos uma representação do mundo com base em filtros que são o resultado da nossa história pessoal e é essa representação que vai determinar os nossos estados e reações ao mundo. A transformação ocorre a partir da transformação de submodalidades sensoriais (localização, cor, tamanho, distância…) e recursos (confiança, paz, afeto, coragem, humor, energia…). São empregues todas as técnicas da PNL, muitas vezes elas mesmas modeladas, quer dizer, usadas ainda de forma mais simples e eficiente.

Para que serve o Panorama Social?

O Panorama Social, apoiando-se fortemente na psicologia social e cognitiva, é usado como instrumento de diagnóstico psíquico e social e é empregue no tratamento pessoal e relações sociais onde se manifestam temas como amor, ódio, desigualdade, poder, identificação, ciúme, luta, etc.
Abordam-se as relações, não só as relações com os outros, mas essencialmente, e como ponto de partida, as relações connosco, a sensação que temos de nós e a nossa autoimagem. Tratam-se as relações com os outros, tanto individualmente como com grupos, construção de equipas, relações dentro da organização e processos de negociação e dinâmica de grupos. Um importante tema são as relações de autoridade, poder e submissão. Sempre excitante, e às vezes picante, é a exploração das relações amorosas na nossa mente. Como as relações familiares são o pilar onde assenta a nossa personalidade, trabalha-se então com a relação do panorama de infância com a nossa personalidade atual; neste campo, o Panorama Social já é considerado, por vezes, como alternativa e complemento das constelações familiares. Também é tratada a relação do individuo com o mundo espiritual e entes falecidos.

O autor, Dr.Lucas Derks

Lucas Derks, é psicólogo social de origem holandesa, trainer de PNL, artista plástico, montanhista, investigador e autor.
Está ativamente ocupado com a PNL desde 1983. A partir de 1993, com base na hipnoterapia e PNL, cria o “Panorama Social”, novas formas para analisar e transformar a experiência social subjetiva. Neste momento há já inúmeros especialistas em psicoterapia e coaching reconhecidos como “consultores” do Panorama Social espalhados pelo mundo. Lucas dá cursos na Holanda, Portugal (a partir de 2006), Bélgica, França, Alemanha, Finlândia, Brasil, Sérvia, Hong Kong, Rússia, Itália, Áustria, Croácia, Polónia, Grécia, Suriname, Hungria, Malta e Nova Zelândia.
O Panorama Social tem cada vez mais adeptos, sobretudo depois da publicação em inglês – “Social Panoramas; Changing the Unconscious Landscape with NLP and Psychotherapy “, Crown House Publishing. O livro, em Português do Brasil,  foi traduzido com o título: “Panorama Social, dinâmica interior dos relacionamentos humanos”, IDPH ,Editora e Livraria Lda, Campinas, S. Paulo.

O ILMSR

Muitos pnlianos em todo o mundo têm vindo a contribuir para o desenvolvimento deste modelo. O trabalho científico de investigação tem sido apoiado, de forma mais sistemática, pelo “International Laboratory for Mental Space Research”, fundado em 2003.
Os principais investigadores, ao lado de Lucas Derks, são: Wolfgang Walker, psicólogo clínico que aplica em Berlim o Panorama Social com utentes da psiquiatria e Walter Otto Oetsch, professor de economia e história da cultura na Johannes Kepler University of Linz na Áustria, impulsionador do emprego do Panorama Social na política.

O fim é juntar as recentes descobertas da linguística cognitiva, prática psicoterapêutica e estudos da história da cultura, com vistas a fundamentar, desenvolver teoricamente e inovar, o modelo de intervenção com o Panorama Social nos processos pessoais de transformação e desenvolvimento, na psicoterapia e em processos socioculturais.

Como tornar-se consultor?

Lucas Derks ministra por todo o mundo um curso para formar “consultores”, um curso que  está automaticamente aberto para todas as pessoas na posse minimal de um certificado oficial como practitioner em PNL. Também é acessível a pessoas com formação tal como psicologia clínica ou social, psicoterapia, hipnoterapia, coaching, mediadores, ou pessoas ativas na política. Claro que o curso pode ser frequentado no quadro de auto conhecimento e desenvolvimento pessoal desde que se possuam os conhecimentos básicos de PNL equivalentes ao nível de practitioner. Psicólogos, (hipno)terapeutas, psicoterapeutas, mediadores, etc, que não possuam conhecimentos de PNL, são aconselhados a seguirem, pelo menos, um curso de iniciação à PNL e a lerem introduções sobre o assunto.

É um curso de cinco dias, misto de teoria, terapia individual, trabalho de coaching e aplicação em equipas, em que são abordados todos os temas do Panorama Social: a melhoria de toda a espécie de relações, entre as quais as relações íntimas, terapia de luto, mediação de conflitos e experiência subjetiva no exerço de poder político; dominância e repressão; o conceito de si e a auto imagem, identificação, crenças sociais, entidades espirituais; problemas de personalidade, raízes familiares, sexualidade, etc.
Como construímos o lugar que ocupamos na realidade social e como o podemos reconstruir? – é a pergunta.
A certificação como “consulente” só é concedida pelo Dr. Lucas Derks, após aprovação de um relatório completo sobre uma intervenção em que é usada a técnica completa do Panorama Familiar.

Em Portugal, este curso de 5 dias, para consultores do Panorama Social, tem de dois em dois anos lugar no Estoril e é organizado por PNL-Portugal.

José Figueira, dezembro 2011

 

II

Melhoria de relações com o Panorama Social

Projetamos construções cognitivas sobre pessoas num espaço mental e é precisamente esse lugar onde as colocamos que vai determinar a qualidade das nossas relações sociais.

Psicólogos, terapeutas, mediadores, coaches, psiquiatras, pedagogos, formadores, mas também todo um largo público interessado, tem à sua disposição um vasto conjunto de técnicas de mudança experimentadas já em diversas culturas e países.

 

Padrões do Pensamento Social

Projetamos os outros numa localização no nosso espaço mental. E essa localização determina a qualidade das nossas relações.

O Panorama Social permite-nos analisar, diagnosticar e resolver problemas relacionais. Com base nestas descobertas torna-se possível, de uma forma mais simples, o tratamento de distúrbios e de toda a espécie de problemas emocionais de ordem social: não só nas relações íntimas ou familiares, como em problemas de poder, conflitos entre grupos ou situações de tensão entre culturas, etc.

A relação connosco

A primeira relação a que ninguém escapa é a relação consigo mesmo. E mais. A reação aos outros e a nossa relação com o mundo é o resultado da relação que temos connosco.

Assim, o primeiro tema do Panorama Social é justamente a relação connosco.

O Eu forma-se a partir dos outros e depois de ser formado é a medida de todas as coisas. Qualquer desajuste nas relações com o mundo exige a consideração da relação com a nossa autoimagem e com a sensação que temos de nós. Daí a importância da autoimagem no Panorama Social e da tecnologia desenvolvida para a recriação de uma autoimagem adequada tanto contextual como abrangendo todos os contextos.

O nosso lugar no mundo

É talvez um dos mais significativos temas que podem, na verdade, fazer a diferença na qualidade da nossa existência e que se nos apresenta subjetivamente na forma simbólica de uma relação espacial que nos pode causar uma sensação de poder, de solidão, de claustrofobia, de ansiedade, etc. A consciência da nossa localização no nosso panorama mental do mundo, onde se jogam as relações sociais e espirituais, é essencial para podermos proceder a novos ajustamentos que nos aumentem a qualidade de vida.

A maioria das pessoas não tem a mínima ideia dos processos que se jogam na sua mente e que são determinantes para as suas sensações e comportamentos. É assim a partir dessa consciência que podemos, através de recursos e de modificações espaciais na mente, enriquecer os nossos dias.

As relações amorosas

“O que se passa com a minha relação atual? Porque não consigo uma relação amorosa satisfatória? Como posso cortar definitivamente com uma relação que me está desgastando as energias? Do que preciso para conseguir uma relação mais harmoniosa e adulta?”

Estas são algumas das perguntas fundamentais que são tratadas no Panorama Social no que diz respeito a relações amorosas. Para além de relações de caráter mais patológico, são empregues métodos simples para uma melhoria na qualidade das relações amorosas “normais”. As bases de intervenção residem no trabalho com as representações internas, o que é característico em Programação NeuroLinguística. Aqui, estas representações são chamadas “personificações” e as técnicas para lidar com elas são espantosamente simples ao mesmo tempo que produzem, em geral, transformações rápidas, eficientes e duradouras.

Relações com os outros

Uma relação pode ser caracterizada por toda uma gama de sentimentos. Há relações que nos sufocam, outras que nos causam um simples desconforto. Há relações que nos impedem de sermos nós mesmos. Há relações em que sentimos desigualdade em poder: de nós em relação aos outros, ou dos outros em relação a nós. Reagimos com as ferramentas que temos disponíveis. Gritamos, empregamos subtis truques mentais de inteligência e persuasão, manipulamos e somos manipulados… Não temos consciência que há estruturas de poder e submissão, tanto individualmente como em grupos e organizações, cujo conhecimento nos poderiam facilitar a vida. No Panorama Social tomamos consciências dessas estruturas e aprendemos de forma prática a lidar com elas.

Relações com espíritos

Quantas pessoas carregam os seus mortos às costas? Como proceder para que a memória de entes amados encontre paz e que encontremos paz na separação, os deixemos partir e prossigamos a nossa vida?

E como pôr ao nosso serviço recursos de ordem espiritual, os mais fabulosos recursos que podemos ter à disposição, para transformar os nossos traços de caráter limitadores e possamos realizar mais facilmente os objetivos de vida que nos ofereçam maiores significados?

Traços de caráter limitadores

Pressupomos que a nossa personalidade é o resultado do Panorama Familiar entre os 0 e 5 anos de idade. Qualquer traço de caráter limitador pode ser transformado a partir do reajustamento da constelação familiar de infância. O “Panorama Familiar” é uma técnica central que tem como fim a transformação real de toda a nossa história pessoal a partir da transformação do panorama mental na infância.

Cada vez mais o Panorama Social é considerado com uma alternativa ou complemento altamente enriquecedor das Constelações Familiares.

 

Mediação e negociação

Mediação de conflitos ou negociação são altamente influenciadas pela representação mental que as partes em jogo têm um do outro. Não só as representações mentais diretas dos participantes concretos em confronto, mas as representações dos grupos que representam e a sua maior ou menor aceitação e apoio, influenciam diretamente o decorrer de qualquer conversação.

No Panorama Social são analisados não só os processos mentais dos oponentes, mas todo o apoio que lhes serve de base e são feitos os ajustes mentais no mediador para aumentar a eficiência da mediação ou negociação.

 

A criação de uma autoimagem positiva
(exemplo de uma técnica)

A indicação para esta abordagem é a existência de uma autoavaliação negativa no cliente; descobre-se através de reações negativas muito fortes ao aumento do tamanho e à aproximação da autoimagem.
A técnica é baseada no facto de que cada autoimagem é uma fantasia construída pela própria pessoa. Uma autoimagem negativa tem tão pouco de realidade como uma imagem positiva. Por isso é justificável substituir uma imagem negativa por uma positiva.

  1. Peça ao cliente para pensar em alguém que ele ou ela valoriza muito. Ajude a intensificar a sensação fazendo com que a visualização da pessoa esteja próxima de si. Quando o cliente nota que a sensação é bastante intensa, o especialista em PNL e consultor do Panorama Social pode ancorar cinestesicamente esta sensação.
    2. Empregue esta âncora para ligar esta sensação de apreciação (amor, respeito) com a autoimagem:
    – “Sinta estima, apreciação, e aplique-a à imagem que tem de si de modo que olha para si com autoestima”.
    3. Quando o cliente tem sucesso no seguimento destas sugestões, o que geralmente é fácil de constatar através da sua expressão radiante, então a questão é fazer com que a experiência se mantenha por algum tempo (pelo menos três minutos).
    4. Ligue esta nova autoimagem positiva acabada de criar com o contexto em que o cliente sentia a carga da autoavaliação negativa.
    5. Faça um teste – quais são as eventuais objeções contra esta nova situação? Estas apontam muitas vezes para convicções de identidade limitadoras.
    6. Consolide esta autoimagem positiva dando-a ao “eu jovem” e seguidamente deixe o jovem crescer associado com ela.

José Figueira, março 2012 

Este artigo foi, entretanto, revisto e publicado no livro “Descobrir a PNL – um ensaio em redor dos temas da Programação NeuroLinguística e das suas aplicações”, de José Figueira, Edições Smartbook:  http://pnl-portugal.com/os-meus-livros/

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